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Campeonato do Mundo de Orientacao - Masters
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Autor Mensagem
Fernando_Costa
Escolinha


Registo: 20 Jun 2007
Mensagens: 79

MensagemColocada: Qua Jan 16, 2008 11:09    Assunto: Responder com Citação

Lillian Røss, W85, NOR

Como descobriu a orientação?
A minha primeira experiência de atleta foi como nadadora da equipa nacional da Noruega. Aos 30 anos, o meu pai levou-me a uma prova de orientação e disse: "Porque é que não experimentas?" Eu não tinha conhecimentos de orientação, mas ele insistiu: "Segue as outras e vais aprendendo à medida que fazes."

Lembra-se das primeiras provas? Mapas e ambiente?
Os mapas daquela altura eram na escala 1:50 000 e naturalmente sem grandes pormenores. As provas nesse tempo, e mesmo depois até aos anos 80, eram um acontecimento social para além da corrida. Os participantes ficavam muito mais tempo na zona das chegadas; hoje vão-se embora, muitas vezes, antes da cerimónia de entrega de prémios.

Qual a prova de que guarda melhores memórias?
Uma das melhores recordações que tenho é do WMOC na Itália há uns 5 ou 6 anos [na realidade foi em 2004]. A prova teve lugar numa zona muito bonita perto dos Dolomitas.. Para lá de um evento bem organizado e com bons trilhos, nós demo-nos o privilégio de visitar locais tão conhecidos como Veneza e outros.

Lembra-se de algum episódio engraçado num dos últimos grandes eventos?
Uma vez dei com um concorrente que obviamente tinha falhado o azimute. Ele estava ajoelhado no meio de um pântano, dando cabeçadas no chão e gritando: "A baliza devia estar aqui."

Que mais lhe agrada na orientação?
Competir na floresta.

Fez alguma amizade especial neste desporto?
Lembro-me especialmente de uma concorrente da Austrália que encontrei num WMOC e de quem gosto particularmente. Durante 6 ou 7 anos estive com ela nos Masters. Infelizmente, não a tenho visto nos últimos eventos. Não sei porquê mas é pena, porque nós passávamos uns bons momentos juntas quando nos encontrávamos. Por outro lado, nós somos um clube de "velhos" orientistas e temos a tradição de nos reunirmos uma vez por ano. Partilhamos memórias de provas e fazemos uma cerimónia de recepção aos novos membros.

O que sente em relação à forma como é vista pelos orientistas mais novos?
Eles vêem-me como uma espécie de "avozinha da orientação". Isso agrada-me. No Mundial da Dinamarca [1999] eu era a única norueguesa no pódio e recebi um monte de felicitações dos outros noruegueses e agradecimentos por ter salvo a honra da pátria.

Tem orientistas na sua família?
Sim, o meu pai e os meus dois filhos, mas agora sou a única que me mantenho no activo.

O que pensa a família da sua actividade?
"Nós sentimo-nos extremamente orgulhosos de ter como mãe uma múltipla campeã do mundo, embora estejamos ao mesmo tempo preocupados por causa da sua idade. Mas esta é sem dúvida uma forma de passar o tempo muito melhor do que numa casa de repouso, que é onde está a maior parte das pessoas da sua idade." (Com os melhores cumprimentos do seu filho).

Qual é o segredo para a sua longa vida desportiva?
Paixão pelo desporto, actividades de ar livre e não aos cigarros e álcool (e talvez os genes certos).

Que treino fazia quando era mais jovem? E o que faz agora para manter a forma?
O meu principal exercício era correr, com um suplemento de esqui no Inverno. Agora caminho nos bosques com o meu cão todos os dias. E ainda vou esquiar no Inverno.

Tem algum cuidado especial na alimentação?
Tenho de admitir que não possuo especiais rotinas no que toca a refeições. É mais sanduíches, e de vez em quando um jantar. E também tenho de admitir que sou perdida por bolos e bolachas. Mas nunca toco em álcool.

Qual era o seu trabalho e como coordenava a vida profissional e desportiva?
Trabalhei na área social, dirigia um centro para reformados. Treinava ao anoitecer e aos fins-de-semana. Quando integrava as selecções nacionais de natação e orientação tinha dispensa no trabalho antes das competições importantes.

Quais são os seus "hobbies" além da orientação?
Passear nos bosques com amigos e cães, ler, ver televisão e ouvir música.

Que espera do WMOC 2008?
Uma aventura emocionante, um evento bem organizado, encontrar novos e velhos amigos, divertir-me e, claro, voltar a ganhar.

Qual a sua data de nascimento?
21 de Setembro de 1922.

(Entrevista de Manuel Dias. Perguntas e respostas por e-mail. Recebido a 22 de Novembro de 2007.)

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Fernando_Costa
Escolinha


Registo: 20 Jun 2007
Mensagens: 79

MensagemColocada: Sex Jan 25, 2008 23:27    Assunto: Responder com Citação

Björn Linnersjö, M65, SWE





No último WMOC você ganhou a medalha de ouro em M65. Como foram as suas corridas na Finlândia? Quatro pessoas ficaram separadas por apenas 2 minutos. Foi uma vitória apertada?

Estive muito concentrado, mas o grau de satisfação com as minhas provas é de cerca de 90%. No conjunto das três corridas perdi à volta de 4 minutos e estou mais satisfeito com a 2ª Qualificatória porque fui o primeiro a sair nesse dia. Mas é claro que foi a Final que me deixou mais feliz. Eu não estava à espera de ganhar a medalha de ouro. Anders Buhré, que foi segundo, e eu temos travado muitas lutas no nosso país, a Suécia. O terreno de Ruka não é nada parecido com o da minha província de Blekinge. Mas Ruka e Kuusamo foram lugares muito bonitos e com excelentes hotéis. Na Final senti-me muito feliz ao dar-me conta de que estava a correr tão rápido que, no ponto 6, a meio do percurso, consegui ver os dois concorrentes que tinham saído antes de mim. Percebi que me estava a safar bem até ali. Cheguei ao fim muito cansado. Havia ainda duas pessoas cujos tempos não apareciam na classificação, mas pelo menos a medalha de bronze estava segura! Quando, por fim, anunciaram os tempos deles e vi que a medalha de ouro era minha, tive uma explosão de alegria!

Acha que conseguirá repetir o 1º lugar em Portugal? Quem mais é favorito entre os inscritos até agora?

Irei dar tudo por tudo para defender o meu ouro, mas será difícil porque há muito bons orientistas no escalão M65. Eu não posso dizer que este seja melhor do que aquele, mas o meu favorito é Rune Rådeström. É novo em M65 e "mais jovem" do que eu!

O próximo WMOC vai ter, pela primeira vez, uma corrida de Sprint (Qualificatória e Final). Gosta deste novo formato? Vem ao encontro das suas capacidades?

O Sprint não é a minha disciplina favorita na orientação, mas vou fazer e esperar que corra bem.

Se li correctamente as estatísticas no Oxtract, entre Março e Outubro de 2007, você correu na Suécia 34 provas e ganhou 32. Como foi isso possível?

O ano de 2007 é talvez o meu melhor até agora. Ausência de lesões e bons treinos durante o Inverno são a explicação para os meus bons resultados. Venci 40 das 63 corridas que fiz no total e fui segundo em 16.

Indique outros destaques da sua carreira.

Venci os 5 Dias da Suécia por 9 vezes. Tenho feito provas de orientação em muitos países e arranjei amigos em todo o mundo. Fui várias vezes capitão da equipa sueca no Campeonato do Mundo Militar, mas não no ano em que se realizou em Portugal [2001].

Não vi o seu nome em lugares de destaque no WMOC desde 2003 a 2006...

Não participei desde as edições de 2000 na Nova Zelândia e 2001 na Lituânia.

Você esteve na Tiomila de 2006 na mesma equipa de Birgitta Olsson, que será também entrevistada nesta secção. O que nos pode dizer dessa prova mítica?

10-mila é um grande evento com muitas categories. Nas classes Open a maior parte da estafeta decorre durante a noite com orientação muito difícil. Dorme-se em tendas, quem consegue dormir. Participam muitas equipas e é emocionante quando os concorrentes de topo se aproximam da zona de transmissão. Não dá para explicar. Vocês têm de participar um dia para perceber o que isto é. Eu, pessoalmente, já corri 17 vezes a 10-mila.

Já participou noutras estafetas?

Participei na Jukola e em muitas outras estafetas. Há umas três semanas a minha equipa ganhou em Smålandskavlen na categoria M180 (três pessoas cujas idades totalizem pelo menos 180 anos).

Quando nasceu e onde vive?

Nasci a 26 de Dezembro de 1942 e vivo com a minha mulher, que evidentemente também faz orientação, e os nossos quatro gatos, em Kristianopel. É uma pequena localidade fora de Karlskrona, no Sudoeste da Suécia.

Como descobriu a orientação?

Frequentei uma "escola de orientação" em 1958. Fui o segundo melhor e fiquei apanhado pela modalidade. Desde então, fiz 2155 provas e tenho todos os mapas arquivados.

Praticou outros desportos?

Sim, natação e luta livre.

De que mais gosta na orientação?

Visitar sempre lugares novos, encontrar amigos e resolver problemas.

Quais os melhores eventos em que participou?

Os 5 Dias da Suécia [O-ringen] são especiais para mim. Desde 1965 participei 40 vezes nos 5 Dias e controlei 2177 balizas! Acampar com o clube durante uma semana e passar o tempo todo mergulhado na orientação é o máximo!

Já competiu em Portugal?

Não, mas estou ansioso por fazê-lo. Estive em Múrcia, em Espanha, num terreno talvez semelhante (?).

Que outros países visitou à conta da orientação? E que memórias guarda?

Já competi em 31 países. Em 1978 fiz parte do "Höst-Öst" com Peo Bengtsson. Visitámos vários países da antiga Europa de Leste, do outro lado da Cortina de Ferro - memórias para toda a vida!

Que terreno prefere? Técnico? Físico?

Gosto de terrenos difíceis, com muitos problemas técnicos.

Faz muito uso da bússola?

Uso-a durante todo o tempo como um complemento. Para seguir na direcção exacta e para ter o mapa orientado.

Lembra-se da sua melhor corrida (perfeita)? E da pior?

Ainda não fiz a corrida perfeita!!!!!!!!!! Quando a fizer, reformo-me! Uma das piores foi a primeira etapa do O-ringen de 1988. Gastei 46 minutos para o 1º ponto, o mesmo tempo que o vencedor gastou a fazer todo o percurso!

Qual foi a sua melhor temporada? Lembra-se de alguns resultados?

A melhor temporada foi esta de 2007. Lembro-me de todas as 2155 provas que fiz até agora, mas o Mundial da Finlândia foi sem dúvida a melhor!

Qual o segredo para ganhar?

Concentração durante todo o tempo e, claro, luta até à meta!

Que tipo de treino costuma fazer?

Corrida lenta na floresta com mapa. Durante o tempo de provas, 3 horas por semana. No resto do ano, 4-5 horas.

Tem cuidados especiais com a alimentação?

De manhã, sempre flocos de aveia e mel. Meio litro de cerveja por dia. Gosto de toda a comida, mas sobretudo lasanha.

Tem orientistas na família?

As minhas duas filhas (37 e 31 anos) e a minha mulher W55.

Qual a sua profissão?

Sou oficial da Marinha reformado desde 2000. Agora estou a restaurar uma velha casa de quinta (1807).

Tem outros hobbies?

Andar a cavalo e jardinagem.

Que espera do WMOC 2008?


Tempo bonito e quente e terrenos de corrida rápida.

Quer deixar alguma mensagem?
Boa sorte para todos! Até Junho!

(Entrevista de Manuel Dias. Perguntas e respostas por e-mail. Recebido a 27 de Novembro de 2007.)
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Fernando_Costa
Escolinha


Registo: 20 Jun 2007
Mensagens: 79

MensagemColocada: Sex Fev 15, 2008 20:50    Assunto: Responder com Citação




Paulina Majova, W55, SVK

Foto: Paulina Majova e Stefan Maj com o campeão português Marco Póvoa (ao centro). Imagem obtida em Vila Real em Outubro de 2004, por ocasião da Taça Latina.

A Paulina teve bons resultados nos Mundiais no escalão W50: 10ª em Itália 2004; 6ª no Canadá 2005; 36ª na Áustria 2006; 22ª na Finlândia 2007. Guarda algumas memórias destes eventos?
As memórias são bastante gerais e dizem sobretudo respeito aos grandes erros que cometi na Final A de cada um desses eventos e, por conseguinte, os resultados podiam ter sido melhores. Memórias especiais tenho, sim, do Mundial do Canadá, onde tomei contacto com a natureza no seu estado selvagem. O país é enorme, com muitas áreas sem marca de presença humana e com animais bravos; nestas circunstâncias, a leitura das recomendações sobre o modo de agir no caso de dar de caras com um urso preto ou castanho revestiu-se de um realismo maior do que em qualquer outro país onde já competi.

Teve algum resultado melhor em Mundiais anteriores?
O meu melhor resultado nos WMOC foi um 2º lugar na República Checa, em 1998, na categoria W45.

E, fora do WMOC, que outros momentos altos apontaria na sua carreira desportiva?
Fiz atletismo em pista, estrada e corta-mato. A minha melhor marca foi 9.42 nos 3000 metros. Ganhei várias medalhas em atletismo nos campeonatos da Eslováquia e da Checoslováquia. No entanto, acho que os meus maiores sucessos têm sido como treinadora.

O que será um bom resultado para si no WMOC 2008? Quem mais poderá lutar pela vitória no seu escalão?
Estou desejosa de voltar a Portugal. Este vai o meu primeiro ano em W55, o que me faz sentir jovem. Um bom resultado para mim é sentir-me bem na corrida, não cometer erros desnecessários e, acima de tudo, divertir-me. Há muitas mulheres que podem chegar ao pódio, demasiadas para estar aqui a enumerar, mas para mim o mais importante é o objectivo a longo prazo de chegar ao WMOC na categoria W90. Acredito que nesse escalão o pódio será meu.

Que acha da prova de Sprint no Mundial? Vem ao encontro das suas capacidades?
Gosto de toda a espécie de competições, já que para mim isso significa estar activa. Fiz provas de sprint no passado e, portanto, acho que não será problema voltar a fazê-lo.

Fale-nos um pouco da orientação na Eslováquia.
A Eslováquia é um país pequeno mas bonito, com muitas condições para a orientação. A comunidade orientista é bastante pequena comparada com outros desportos. Os desportos favoritos são hóquei no gelo e futebol. Durante o ano há várias provas de orientação organizadas para as escolas e os melhores alunos disputam o Campeonato Escolar da Eslováquia. Normalmente, estas competições começam por ter uns 1000 concorrentes nas primeiras provas de selecção. Os eventos convencionais têm normalmente apenas 250 concorrentes, incluindo os Campeonatos, a Taça da Eslováquia e outras provas organizadas por vários clubes nacionais. Dos eventos "multi-day" o mais conhecido é o Grande Prémio da Eslováquia, já com uma tradição de 33 anos e cuja participação varia entre 600 e 1500 concorrentes. A Associação Esvolaca de Orientação tem organizado vários eventos internacionais, como os Campeonatos Mundiais Universitários, o Campeonato Europeu Escolar (EYOC), a Taça do Mundo, o Mundial de BTT e o Mundial Júnior de Orientação em Esqui.

Dê-nos uma boa razão para irmos fazer uma prova de orientação à Eslováquia.
A Eslováquia tem uma grande variedade de terrenos, desde os pisos arenosos e planos dos pinhais, passando pelo terreno típico dos Cárpatos com bosques de carvalhos, diferentes tipos de terrenos rochosos em resultado da agricultura e da exploração mineira, terrenos de montanha, terrenos com linhas de água profundas cavadas pela erosão e terrenos baixos com depressões e fossos. Na maior parte dos casos, as provas não têm restrições à participação e posso dizer que são geralmente bem organizadas. A Eslováquia tem uma economia bastante dinâmica e um rico património cultural e natural. O país é seguro e bastante barato.

Marian Davidik, Lukas Bartak, Michal Krajcic, Pavol Bukovac, Martina Rakayova e Jana Macinska são alguns dos melhores atletas eslovacos. Conhece pessoalmente algum deles? Tem alguma história particular passada com algum deles?
Como disse atrás, o número de orientistas activos na Eslováquia é bastante pequeno e, portanto, conhecemo-nos todos muito bem. Todos os nomes que mencionou são-me familiares a mim, tal como ao resto da comunidade orientista eslovaca. Sou a treinadora ("personal trainer") de Marian Davidik, Lukas Bartak e Michal Krajcik, e o Marian está "debaixo da minha asa" desde os seus 17 anos. Tenho um monte de recordações de coisas vividas com esses rapazes, umas divertidas, outras dramáticas. Lembro-me da festa que foi a conquista da primeira medalha no Mundial Júnior (JWOC) na Roménia, tal como das outras medalhas no JWOC da Bélgica, no Mundial Universitário na República Checa, e da vitória na Taça do Mundo na Bélgica. Também tenho excelentes memórias da Taça do Mundo em Portugal, onde Marian foi 5º em terrenos próximos daqueles onde vai decorrer o WMOC. Tenho imensas recordações de campos de treino, sendo Portugal nesse caso também um dos nossos destinos.

Quando nasceu e onde vive?
Bem... Não conheço os hábitos do vosso país, mas no meu não é lá muito delicado perguntar a idade a uma senhora (riso). No entanto, como já ficou dito atrás, vai ser o meu primeiro ano em W55, basta fazer as contas... Mas, vá lá, e respondendo directamente: nasci a 6 de Agosto de 1953 e vivo na capital da Eslováquia - Bratislava.

Pratica ou praticou mais algum desporto?
Como já disse, fiz bastante atletismo, sobretudo corrida. Entre outros desportos, posso incluir esqui, esqui de fundo no Inverno, e ocasionalmente bicicleta e patins em linha no Verão.

Como e quando descobriu a orientação?
Nos meus 23-24 anos, eu estava realmente em grande forma física, quando o meu actual marido me introduziu nos segredos da orientação e me levou para a floresta. Descobri pela orientação uma paixão tão grande como pelo meu marido desde esse primeiro dia.

Que mais lhe agrada na orientação?
A orientação é um permanente desafio, onde cada baliza representa parcialmente uma espécie de meta. Na orientação, as alternativas para atingir a linha de chegada são incontáveis, o que requer do concorrente sólidas competências tanto físicas como mentais. Uma prova de orientação mantém o atleta em forma e estimula-lhe a mente a um ponto que normalmente se prolonga até depois de terminar a corrida. E, last but not least, uma prova de orientação permite descobrir o que há de belo na natureza numa série de países e fazer novas amizades com gente de todo o mundo.

Quais os melhores eventos em que participou?
É difícil dizer, já que ao longo da minha vida tenho participado numa quantidade enorme de competições. Para mim, no entanto, uma boa competição implica por igual a qualidade do mapa e um traçado de percursos adequado às capacidades físicas e técnicas de cada categoria. Há provas em grande quantidade. Acredito que qualquer país, independentemente do seu tamanho e da implantação da modalidade, tem condições para organizar uma prova interessante e de qualidade. Não sou lá muito adepta de terrenos com vegetação rasteira densa, erva alta ou que provoque irritação da pele (do tipo urtigas). O mau tempo também facilmente pode arruinar o trabalho e as boas intenções de qualquer organização.

Quantas vezes competiu em Portugal? Quais os terrenos de que mais gostou?
Estive várias vezes em Portugal e estou sempre desejosa de voltar. No total gastei aproxidamente três meses correndo entre Lisboa e Porto, ao longo da costa, com várias viagens ao interior e também a norte do Porto. Tomei parte num campo de treinos em Mira preparado com grande profissionalismo e levado a cabo em terrenos muito interessantes. Desfrutei essa experiência mais como um período de férias do que propriamente a preparação de treinos para a minha equipa, o que é sublinhado pelo facto de os pinhais planos junto à costa se contarem entre os meus terrenos favoritos. Também me diverti e encontrei terrenos interessantes perto de Évora e nas zonas rochosas a norte do Porto (Alvão), bem como em provas de parque na cidade [sprint urbano]. A minha estante está cheia de troféus de provas portuguesas a que associo um punhado de excelentes recordações. Uma vez o meu marido trazia um gigantesco troféu do POM, que eu não consegui arrumar na bagagem e que suscitou a atenção de imensa gente no aeroporto. Perguntavam-me se eu tinha ganho algum tormeio de ténis (risos).

Além das provas, que outras recordações tem de Portugal?
Algumas das minhas melhores recordações incluem uma ida a Fátima durante celebrações religiosas, visita panorâmica e à parte histórica de Lisboa, bem como à zona da Expo, o contacto com um povo acolhedor e saborear o vinho verde e do Porto.

Em que outros países fez orientação? Guarda memória especial de alguma viagem?
Competi em tantos países da Europa que talvez fosse mais fácil dizer aqueles onde não competi. Também participei em provas no Japão, EUA e Canadá. Sempre que planeio uma viagem de orientação, incluo outros pontos de interesse na minha agenda. Entre as memórias especiais, posso mencionar os parques nacionais de Utah, bem como Arches, Brice e o Grand Canyon que são espectaculares.

Lembra-se da sua melhor (perfeita) corrida? E da pior?
Bem, eu acredito que ainda estou à espera de fazer a minha corrida perfeita. Quanto à pior, foi a primeira, quando eu tinha 23 anos e podia realmente correr rápido mas era muito fraca em técnica de orientação. Corri para cima de 15 km numa prova de 5 km e com um traçado muito simples. Quando cheguei ao fim, com hora e meia de prova e um controlo falhado (missing control point), disse para mim mesma: "Preciso de aprender isto."

Quem são os seus heróis neste desporto?
Para mim heróis são os corredores de topo normalmente representados por Thierry e Simone. No entanto, eu também classifico como heróis cartógrafos como Zdenek Lenhard CZE, cujos mapas eu vejo como uma obra de arte; treinadores que precisam de uma série de competências para fazer o seu trabalho; organizadores que asseguram competições escorreitas para satisfação de dezenas de milhares de concorrentes; informáticos que transportam a orientação das florestas para os web sites para a tornarem mais próxima do público; e, last but not least, concorrentes que decidem mover os seus a.s.s. do TV/PC para encararem o desafio do desconhecido e descobrirem o caminho da partida para a chegada.

Tem algumas responsabilidades no seu clube ou na Federação do seu país?
Sou um membro activo do KOBRA Orienteering Club e treinadora de vários atletas. Os orientistas do KOBRA integram regularmente as selecções nacionais da Eslováquia. Trabalho com a selecção nacional desde 1993, altura em que passei a ser treinadora de boa parte dos juniores e seniores; a maioria dos atletas da selecção masculina tem cooperado comigo ao longo destes anos. Devido à falta de treinadores, a liderança da selecção ficou um tanto afectada, dando-se o caso de algumas vezes o líder da equipa ter de agregar outras funções. Estes casos têm aspectos positivos e negativos. A vantagem está na aplicação dos princípios democráticos, com as decisões a serem tomadas por um único líder. A desvantagem reside em que, no caso de insucesso, a responsabilidade recai sobre esse mesmo (único) líder. De qualquer maneira, foi um desafio muito interessante. No ano passado transferi essas responsabilidades Jozef Pollak, que foi membro da selecção nacional durante vários anos. Eu precisava de fazer uma pausa e, pelos resultados que está a conseguir, posso dizer que para Jozef Pollak está a desempenhar muito bem a sua tarefa e espero que ele se mantenha. Ainda assim, eu continuo envolvida como treinadora pessoal (personal trainer).

Já organizou alguma prova de orientação? Tem boas recordações dessa experiência?
O meu clube organiza duas a cinco provas por ano. Organizámos várias edições do Grand Prix Slovakia, a World Cup em High Tatras e PWT em Bratislava. Estamos activamente procurando novos terrenos e lugares para orientação em toda a Eslováquia. Considerando que o número de atletas do nosso clube é relativamente pequeno, toda a gente toma parte na organização. Eu acumulo normalmente várias tarefas, tais como traçadora de percursos ou membro do júri. O objectivo do meu clube é organizar competições com mapas de alto nível e com o mínimo de falhas; temos mantido esta linha desde os primeiríssimos tempos e as nossas organizações adquiriram uma boa reputação. Quanto a boas recordações, elas normalmente só chegam depois da missão cumprida, antes disso o trabalho da organização é um desafio permanente.

O seu marido, Stefan Maj, é também um bom atleta. Treinam juntos? Qual é o vosso programa semanal de treinos?
O meu marido Stefan é um corredor muito ambicioso e um homem muito ocupado na sua vida profissional com um inacreditável sentido de responsabilidade (ele é vice-presidente e director financeiro do maior banco do país), o que não é nada fácil de conciliar. O dia só tem 24 horas, o que é manifestamente insuficiente para um homem como Stefan. Por conseguinte, nós treinamos juntos sempre que é possível, sobretudo nos fins-de-semana. Durante a semana, ele tem muitas vezes de esquecer as regras de treino e alimentação adequados. Treina bem cedo de manhã antes do trabalho ou à tarde, entre as 7 e as 8h. Apesar de eu não poder aceitar isto como um sólido processo de treino, a verdade é que não consigo imaginar melhor forma de descontrair depois de um dia cheio de stress no trabalho. Durante a semana ele tenta fazer 4-5 horas de actividade física, mesmo durante as viagens de negócios a prática desportiva é um must para ele. Durante a preparação de provas ele gosta de verificar os pontos de controlo ou mesmo corer todos os percursos. Nós gostamos de descobrir novos destinos de orientação onde possamos juntos viver a nossa paixão comum. Algumas vezes ele acompanha-me nos campos de treino.

Tem algum plano de treino especial para o WMOC?

Não vou fazer um programa especial de treino, mas o KOBRA está a organizar uma competição de Primavera em terreno semelhante ao do WMOC, e isso constituirá certamente parte da minha preparação. Eu e o meu marido gostaríamos de competir em Portugal e Espanha durante os meses frios. Para mim uma boa preparação para o Mundial é o treino contínuo sem grandes paragens por doença ou lesão.

Tem outros orientistas na família?
Os meus filhos Andrej e Michal acompanhavam-nos na maior parte das provas antes de terem chegado à idade adulta. O Andrej integrou durante dois anos a selecção júnior da Eslováquia. O seu melhor resultado foi 25º em Distância Clássica no JWOC 98 em França e também nesse JWOC falhou o pódio nas estafetas mesmo em cima da meta. Actualmente, o trabalho domina a sua atenção, limitando-se o desporto aos patins em linha e esqui. O Michal inventou um novo termo na categoria "N": durante os percursos, em vez de atalhos ("shortcut" no original) ele costumava fazer "desatalhos" ("longcut"). Agora, ele prefere sobretudo bicicleta e esqui.

Como encara a família a sua actividade? Sente que lhe dão apoio?
A minha família aceita as minhas actividades. Os meus filhos têm os seus próprios interesses, mas participam na organização de competições e ajudam-me quando estou com a selecção em competições internacionais. O meu marido ajuda-me muito, como penso que já ficou explicado atrás. E nós os dois damos um forte apoio a toda a dinâmica do clube. O meu marido foi também presidente da Associação Eslovaca de Orientação [o equivalente à nossa Federação] e patrocina a orientação no país. Estamos ambos a fazer o mais que podemos.

Tem cuidados especiais na alimentação? Qual o seu prato favorito? O que é que nunca come ou bebe?
Conheço bem as regras de uma nutrição adequada, mas, quando há boa comida na mesa, muitas vezes esqueço-as e ingiro alimentos pouco saudáveis. Como tudo o que me ponham no prato. A minha comida favorita é "schnitzel" [bife panado] com molho picante e o meu marido gosta de salsichas com o que quer que seja, coisas que nenhum de nós devia comer. Há muitas comidas e bebidas que nunca experimentei, mas estou a trabalhar para reduzir essa lista, experimentando sempre que posso cozinha internacional.

Qual a sua profissão? Como coordena a vida profissional e desportiva?
A minha profissão é o desporto, já que trabalho no Centro Nacional de Desporto da Eslováquia como metodologista do treino. Trabalho com treinadores e atletas, que na maior parte dos casos integram as selecções nacionais nas suas modalidades. O meu portfolio também inclui orientação e os atletas atrás mencionados, Davidik, Bartak, Krajcik e Bajtosova (ori-BTT). Parte da preparação desses atletas cabe-me a mim sob a supervisão de outros profissionais. Estar activo e em forma é basicamente o objectivo do meu trabalho. O meu patrão tolera o meu envolvimento na orientação, ainda que não esteja muito interessado nos meus resultados pessoais.

Quais os seus hobbies além da orientação?
Os meus hobbies incluem o meu pequeno jardim e as flores à volta da minha casa em Bratislava, bem como a casa de campo na localidade onde nasci, com um jardim um pouco maior e onde sempre há que fazer. E também adoro fotografia.

Quer sugerir um livro, um filme ou uma música?
Gosto de documentários, ouço música pop e country e leio sobretudo jornais e revistas, mais do que livros.

Quais os seus sites e blogues favoritos?
O meu site favorito é www.worldofo.com onde posso encontrar uma enorme quantidade de informação interessante e útil e endereços de blogues de gente interessante. Leio blogues nacionais de economia, política e desporto.

Que espera do WMOC 2008?
Espero umas belas e activas férias na costa convivendo com gente que tem a mesma paixão da orientação. Espero uma organização de bom nível, percursos tecnicamente difíceis, um ambiente agradável e montes de novas experiências e aventuras.

Sabe de mais eslovacos que venham ao WMOC?
Vários membros do meu clube irão ao WMOC, tal como gente de outros clubes eslovacos. Não posso dizer quantos, porque alguns ainda não se inscreveram. Para mim a pessoa mais importante em Portugal será o meu marido. Mas posso garantir que todos os que vêm da Eslováquia estão ansiosos por esta competição e que muitos de nós vão dar o seu melhor.

Quer deixar alguma mensagem aos outros concorrentes?
O importante não é ganhar, mas participar.

(Entrevista de Manuel Dias. Perguntas e respostas por e-mail. Recebido a 24 de Novembro de 2007.)
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Fernando_Costa
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Registo: 20 Jun 2007
Mensagens: 79

MensagemColocada: Sex Fev 15, 2008 21:06    Assunto: Responder com Citação



Alexander Afonyushkin, M40, RUS

Os seus resultados dos últimos quatro anos no WMOC são extraordinários: 19º em Itália 2004, 1º no Canadá 2005, 3º na Áustria 2006, 17º na Finlândia 2007. Qual o objectivo para Portugal 2008?
O meu objectivo para Portugal é a conquista do 1º lugar, mas já ficaria satisfeito com qualquer lugar do pódio.

Quem mais poderá lutar pela vitória no seu escalão?
Penso que não seria correcto mencionar o nome de qualquer dos outros atletas, porque deve haver um lote de concorrentes de mérito, que irão lutar pelo 1º lugar.

Quando nasceu e onde vive?
Nasci a 10 de Setembro de 1965 e vivo na cidade de Ramenskoye, a 40 km de Moscovo.

Quais os destaques da sua carreira desportiva antes de ser veterano?
Antes de chegar aos Mundiais de Veteranos, estive 10 anos sem treinar. Durante a minha carreira profissional (antes de 1992) fui 3º nos campeonatos da URSS e 1º nos campeonatos da Federação Russa.

Há quanto tempo pratica orientação?
Desde 1978 até 1992, e 2002 até agora.

Que mais lhe agrada na orientação?
É difícil transmitir por palavras... É a possibilidade de encontrar amigos, de visitar diferentes países, de viver emoções positivas... É o meu estilo de vida.

Quais os melhores eventos em que participou?
A prova mais gratificante foi o WMOC da Áustria em 2006, porque tinha concorrentes fortes e a minha família e muitos amigos deram-me apoio. Também me lembro do WMOC no Canadá, porque constituiu o meu primeiro sucesso e porque não havia só orientação, foi interessante tomar parte nos Jogos Mundiais de Veteranos (World Masters Games).

Qual a sua melhor época?
A minha melhor época foi o ano de 2005. Primeiro ganhei o Campeonato de Espanha, depois o WMOC no Canadá (1º lugar) e também ganhei a Semana de Orientação de Kainuu na Finlândia e alcancei bons resultados nas competições na Rússia. Consegui tudo isso graças a um cuidadoso plano de treinos, persistência e sorte.

Que terreno prefere? Técnico? Físico?
Quando era jovem, preferia terrenos técnicos, agora tanto se me dá, embora a minha preferência continue a ir para os terrenos técnicos.

Que tipo de treino costuma fazer?
Infelizmente, a zona onde vivo não me permite fazer treino técnico. Tento por isso aproveitar todas as oportunidades de treinar no estrangeiro. No Inverno tento ir a Espanha participar no campo de treinos organizado pelo senhor Sterner. Na Primavera e Verão faço provas na Rússia e Finlândia.

Tem algum programa especial de treino com vista ao Mundial?
Sigo os conselhos e as recomendações do meu treinador, e começo agora [início de Novembro] a preparação para o WMOC em Portugal.

Como vê a orientação na Rússia?
Penso que a possibilidade de participar em competições e campos de treino no estrangeiro trouxe um novo estímulo ao desenvolvimento da modalidade. Há 20 anos, os jovens orientistas não tinham essa oportunidade, pelo que penso que existem agora boas perspectivas.

Quantas provas de âmbito nacional têm por ano? Há algum evento de vários dias?
Eu não tenho hipótese de participar na maioria das provas nacionais, mas todos os anos vou a Sampetersburgo competir num evento de vários dias. E tento também fazer um ou dois eventos de vários dias algures no estrangeiro.

Qual o evento mais importante na Rússia em 2008?
Penso que será o "Russian azimuth". Esta competição de massas desenrola-se em várias cidades. No ano passado registou a presença de cerca de 200 mil pessoas em 70 cidades. Trata-se, claro, de um acontecimento mais vocacionado para os amadores e entusiastas da orientação, mas é muito importante para o nosso desporto.

Alguns dos melhores atletas russos (Khramov, Novikov, Efimov) também correm no WOC Militar. Tal como acontece com os suíços. Isso significa que a orientação na Rússia depende muito ainda do apoio militar?
Não me parece que se possa falar de apoio militar à orientação na Rússia. Para mim, isto é mais um hobby, e não conheço todos os desenvolvimentos. Eu costumava correr no Exército em H21E e não penso que as coisas tenham mudado.

Qual o seu emprego e como coordena a vida profissional e desportiva?
Sou um homem de negócios. A nossa empresa opera na venda de mercadorias. É-me muito difícil coordenar a vida profissional e desportiva, mas tento encontrar tempo para treinar 4-5 vezes por semana.

Tem orientistas na família?
Infelizmente, nenhuma das minhas duas filhas participa em provas de orientação, mas ambas me dão muito apoio. A minha mulher, sim, compete. Quando era jovem, ela corria bastante mais do que eu, mas agora tem dificuldade em compatibilizar a sua actividade de professora na escola com o desporto.

Sente apoio na família e nos amigos?
Penso que o meu sucesso não se deve exclusivamente aos meus méritos, depende também do apoio da minha mulher, da ajuda do meu treinador Kudryashov e dos meus amigos de Sampetersburgo e da Finlândia.

Tem algum cuidado particular com a alimentação? Qual o prato favorito?
Não tenho especiais preferências no que toca a comida, acho que é possível encontrar sempre alguma coisa ao agrado de cada um.

Quais os seus hobbies além da orientação?
A orientação ocupa todo o meu tempo livre.

Quais os seus sites favoritos?
www.moscompass.ru
www.wmoc2008.fpo.pt (este ano)
www.ssl.fi
www.o-travel.com

Quer deixar alguma mensagem aos outros concorrentes do WMOC '08?
Na minha opinião, o WMOC não é bem uma competição, é para muitos orientistas a oportunidade de fazerem o que não puderam fazer quando eram jovens - tomar parte num autêntico campeonato do mundo de orientação! Participar no WMOC é encontrar amigos, congratular-se com os seus sucessos, conhecer novos países e novas sensações! Desejo a todos os orientistas saúde e energia por muitos anos. E uma longevidade desportiva, como a de Erkki Luntamo, da Finlândia. [Primeiro entrevistado desta rubrica.]

(Entrevista de Manuel Dias. Perguntas e respostas por e-mail. Recebido a 6 de Novembro de 2007.)
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