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Campeonato do Mundo de Orientacao - Masters
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Autor Mensagem
Fernando_Costa
Escolinha


Registo: 20 Jun 2007
Mensagens: 79

MensagemColocada: Dom Jul 08, 2007 11:07    Assunto: Campeonato do Mundo de Orientacao - Masters Responder com Citação

Dois elementos do GD4C ( Fernando Costa e Margarida Rocha) integram a delegacao oficial de Portugal na Finlândia na promocao do evento de 2008 que vai decorrer em Portugal.

do secretariado do evento em Ruka junto ao circulo Polar Arctico envio as crónicas da viagem e do trabalho de promocao de Portugal escritas por Jorge Simoes.

Rumo à Finlândia

Saintes, 2007-07-02, 22h30

Pois é meus amigos, chegamos a Saints (cerca de 100kms a norte de Bordéus) e o nosso primeiro dia desta grande aventura, que nos irá levar à Finlândia para promover o WMOC’08, terminou!!!
Na verdade este é o segundo dia, pois a viagem teve ontem um “prólogo” que se iniciou na sede da FPO, em Mafra (comigo e com o Jacinto Eleutério) e terminou por volta da uma da manhã de hoje no Porto, mais concretamente na casa do Fernando Costa, na Senhora da Hora.
8h00… início da grande viagem e após apanharmos a Margarida Rocha na área de serviço de Águas Santos partimos os quatro para o nosso primeiro dia de viagem que passou muito perto de localidades como Vila Real, Chaves, Benavente, Burgos, San Sebastian, Bordéus e finalmente Saints onde já estamos alojados, jantar tomado (obrigado Margarida) e alguns com o banho tomado (sortudos!), enquanto eu escrevo este artigo.
Amanhã temos mais 1300kms pela frente para uma jornada que nos vai levar até Bremen, na Alemanha, com passagem mesmo pelo coração de Paris (vamos ver como vai estar o trânsito!) e por muitas cidades importantes de França, Bélgica e Alemanha.
Com o pequeno-almoço marcado para as 7.00 e saída para a 7.30 é tempo de ir dormir, ou melhor… é tempo de ir tomar um chá que a Margarida está a preparar e então depois… dormir. Até amanhã!
Um abraço a todos, Jorge Simões

Bremen, 2007-07-03, 23h00

Bremen, norte da Alemanha… esta é a segunda paragem desta aventura que nos irá levar a Ruka, na Finlândia, muito perto do Círculo Polar Árctico.
O dia amanheceu chuvoso (e com algum nevoeiro à mistura) e assim continuou até meio da tarde, o que a “grosso modo” correspondeu a todo o tempo que demorou a travessia da França, pois só na Bélgica e na Alemanha tivemos o Sol como companhia.
Com 2779kms cumpridos (a viatura fez mais quilómetros em dois dias do que durante os cerca de 3 meses em que está ao serviço da FPO!!!), a viagem está a meio e até agora tudo tem corrido de forma agradável e sem qualquer percalço.
Hoje o grande desafio era - para além das muitas cidades importantes que se contornavam e o trânsito que daí poderia resultar - atravessar Paris… e foi efectivamente um desafio, mas que se superou razoavelmente e se não fosse o muito trânsito e as péssimas condições climatéricas, tinha sido uma “prova” facilmente superada e sem qualquer engano… ou não estivéssemos em presença de 4 exímios (cof cof cof) praticantes da modalidade para quem os mapas não têm segredos.!
Amanhã temos mais cerca de 1200kms pela frente, numa jornada que nos vai levar até Estocolmo mas que certamente será completamente diferente da de hoje, pois em primeiro lugar esperamos que o tempo esteja melhor e em segundo lugar esperemos ver paisagens bem mais agradáveis que os intermináveis campos e/ou estradas “entaladas” dentro de zonas arborizadas que não permitiam ver nada ao redor. Olhando para o mapa, amanhã temos estradas que passam por debaixo de água, estradas que atravessam grandes pontes, estradas que contornam grandes lagos, etc… enfim, uma paisagem bastante diferente da que temos vindo a assistir. Agora… é tempo de dormir!!!
Beijos e abraços, JS

Estocolmo, 2007-07-04, 21h30

Pois é… isto hoje foi sempre auto-estradas, grandes pontes e túneis (alguns deles por baixo de água… sim, não me enganei nem estou a brincar!!!) e o resultado está à vista… chegamos a Estocolmo antes do hotel Formula 1 ter fechado a recepção (o que não aconteceu nos outros dias mas que por especial favor nos atenderam… ainda que às vezes com uns modos…) caso contrário teríamos de fazer o check-in por via electrónica… estão a imaginar?
Já que falo nos hotéis Formula 1 (onde temos ficado todas as noites e onde ficaremos também no regresso) é muito agradável seguir as informações da sua localização e chegar lá sem ter de perguntar o que quer que seja ou a quem quer que seja. Muito bem sinalizados na descrição de cada um deles.
Voltando à nossa viagem, hoje a nossa etapa terminou à “entrada” de Estocolmo, tendo constado ainda do menu outra capital europeia: Copenhaga.
Resumidamente o nosso dia foi passado a atravessar o que nos faltava da Alemanha [pouco depois de iniciada a jornada passamos pela grande cidade que é Hamburgo e onde nessa mesma cidade passamos por baixo (leram bem!) do rio que a atravessa]. Seguidamente rumamos para norte em direcção à Dinamarca, tendo neste país de muitas ilhas atravessado grandes pontes como é o caso da ponte junto a Odense e da ponte que separa a dinamarquesa cidade de Copenhaga e a sueca cidade de Malmo (mais uma que se passou parte por baixo de água!).
Chegados à Suécia, pouco depois do almoço foi tempo, foi tempo de rumar mais uma vez para norte e depois para noroeste em direcção à capital, tendo nesse itinerário passado pela cidade que recebe a edição de 2007 do O-ringen (Mjolby).
A viagem correu dentro das expectativas e sem qualquer contrariedade (excepto um erro de navegação que nos levou a fazer mais cerca de 40kms… mas que rapidamente se regularizou), estando o grupo animado e pronto para a última jornada e aquela que provavelmente será a mais dura, pois se em termos de distância esta é quase igual, já em termos de estradas e de médias horárias as coisas vão-se complicar, pois vamos deixar para trás as auto-estradas e entrar nas estradas nacionais.
Aguardemos… até amanhã!
Beijos e abraços, JS

Ruka, 2007-07-06, 04h00

Pois é, eu bem vaticinei que a coisa ia ser mais complicada… e foi!!!
Cerca das 8h00 (9h00 na Finlândia), com o pequeno-almoço tomado, começamos aquela que seria a nossa última etapa rumo a Ruka. Depois de passarmos por Uppsala, as cidades começaram a rarear e era frequente ver placas com cidades no nosso itinerário a cerca de 300kms… e depois de passada uma, vinha outra a cerca de… 300kms… e o que é facto é que trocamos de moedas (coroa sueca pelo euro) 1050kms depois de termos saído do nosso alojamento. Após a nossa entrada na Finlândia, rumamos à terra do Pai Natal (Rovaniemi) e 3kms depois era tempo de fazer uma paragem para umas fotos no… Círculo Polar Árctico e ainda com… luz solar… e isto quando era 1 hora da manhã!!! Mais de uma centena de quilómetros depois e era tempo da última paragem para a foto da praxe, junto à placa que anunciava o evento, tendo pouco tempo depois - cerca das 2h30 e sempre com a luz solar como companhia - chegado ao nosso alojamento, o que também podia dar uma história…
Peripécias à parte, foi uma cansativa mas excelente jornada de 1367kms (5382kms no total), com muitos limites de velocidade impostos e quase sempre com um radar a controlar (mas sempre com a indicação da sua presença!!!), mas que valeu pela paisagem… lagos, florestas a perder de vista, culturas variadas, um imenso Golfo de Bottenviken sempre ao nosso lado direito, terra do Pai Natal, Círculo Polar Árctico e até uma rena que se cruzou connosco.
Enfim… são quase 4h horas e é urgente ir dormir. Até logo!!!
Beijos e abraços, JS

Ruka, 2007-07-07, 01h00

Nove da manhã, pequeno-almoço tomado… é tempo de fazer a íngreme subida (cerca de 200m) que nos separa do Centro do Evento para montar a promoção do WMOC’08, junto ao secretariado do WMOC’07, em tempo útil, pois o hora oficial da abertura está apenas a 3 horas!
Com alguns contactos preliminares estabelecidos, foi tempo de contactar directamente algumas das pessoas da organização e, desde o Director do evento à responsável pela Imprensa (a nossa conhecida Asta Flojt, que já correu em Portugal pelo GD4C) passando pelo Secretário-Geral do evento, ninguém colocou qualquer obstáculo à nossa presença, tendo-nos facultado tudo o que estava ao seu alcance para que tudo funcionasse perfeitamente e acabamos por ter um espaço tão privilegiado no centro do evento que muitas vezes comentamos que muitas pessoas se dirigiam a nós pensado estar a dirigem-se ao secretariado da competição, tal era o privilégio da nossa localização.
Durante o primeiro dia foram relativamente poucos os participantes que se dirigiram ao centro do evento para os procedimentos da praxe… levantamento de inscrições e de cartões electrónicos (que nesta prova será o Emit), liquidação de alguns pagamentos, compra de mapas, acertos de última hora e/ou esclarecimentos sobre os alojamentos e outras dúvidas que sempre surgem… pelo que pelas 22h00 o centro do evento encerrou e nós tivemos oportunidade de jantar e, mais importante, de dormir… isso se não fosse um filme do Terence Hill que estava a dar na televisão finlandesa (em Inglês!!!) e que nos deixou acordados até muito depois da 1h… enfim!

Beijos e abraços, JS
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Fernando_Costa
Escolinha


Registo: 20 Jun 2007
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MensagemColocada: Sex Jul 20, 2007 8:18    Assunto: Responder com Citação

À três dias na Finlândia

Dia 09 realizou-se a prova do sol da Meia noite. Como já estava inscrito à cerca de meio ano, resolvi participar com a Margarida.

Como não temos tido hipotese de sair do stand nem sequer estavamos a par dos pormenores desta prova.

Há 4 dias que não se vê o sol. Se houvesse sol isto era o paraiso, mas nem tudo pode ser perfeito.

A prova realizou-se em redor do monte Rukatunturi onde está instalada a pista de saltos.

O acesso ao local foi feito através de um teleférico com cerca de 1000m, só por isso valeu a pena!
do teleférico desfrutava-se de uma paísagem maravilhosa o problema era que estavam 5 graus e o vento lá no alto era cortante.
lá de cima consegui ter a prespectiva perfeita das execelentes condições turisticas deste local (4.000 camas dísponiveis) em redor desta pista de saltos.

Tanto eu como a Guida levavamos um impermeável vestido e quando lá chegamos a cima não tivemos coragem de o retirar, decidimos ir os dois juntos para falarmos sobre o mapa.

partimos os dois, mas quando começamos é que verificamos que os percursos não eram iguais (maçaricos!!). da nossa série eram 4 percursos diferentes. Ainda conseguimos fazer o ponto 2 e o 3 juntos pois eram iguais.

O terreno era fantástico mas o piso era muito irregular e difícil fisicamente, pois era em redor de um monte.
Várias zonas abertas devido aos teleféricos facilitavam a orientação mas nas zonas de floresta o piso era revestido com uma camada de musgo e alguma vegetação rasteira à base de carqueija.

Fiz a prova nas calmas, pois fui mais com a ideia de me adaptar à catografia. No final 106º com 52 minutos para os 3,9Km.

tinha sido um bom aperitivo e gostei muito da prova.
Hoje vou fazer os dois percursos de treino que vão ser muito próximo das eliminatórias.
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Fernando_Costa
Escolinha


Registo: 20 Jun 2007
Mensagens: 79

MensagemColocada: Sex Jul 20, 2007 8:21    Assunto: Responder com Citação

Treinos e cerimónia de abertura

Dia 10 de Julho
Mais um dia carregado de nuvens, frio (9º) mas sem chuva!

Em frente ao stand de Portugal passou a ser um local de convívio e onde muitos participantes vem beber um café ou um Porto ( os stocks estão a acabar) e todos falam de Portugal!

A organização preparou 2 provas de treino em terrenos nas imediações das qualificatórias.
Eu a Margarida (porque vamos participar no evento) depois de algum tempo no secretariado, avançamos para o terreno.
Era importante perceber bem a cartografia e adaptarmo-nos bem ao terreno.
Autocarros a circular do secretariado e de Kuusamo para os locais dos treinos, tudo impecável, parques bem dimensionados e muita segurança.

O terreno era um espectáculo com o piso constituído por uma camada de musgo fofo, mas sempre com monticulos e fossos. A floresta é muito mais traficável do que na Suécia ou mesmo no sul da Finlandia, porque o tipo de pinheiro nórdico não tem os ramos até ao chão e são muito mais afastados uns dos outros e sempre misturados com Choupos.

Mas o mais incrível e que eu nunca tinha visto, são os formigueiros do tamanho de uma pessoa.
Este elemento característico vem reperesentado com um x a castanho e na sinaléctica o simbolo que todos nós conhecemos!
Os cartografos previligiam tudo o que é castanho (formigueiros, fossos, cotas etc)
Importante foi também verificar as zonas alagadiças e pantanos tão frequentes neste terrenos.
Fizemos a passo todos os pontos dos dois mapas e quando acabamos já eram 13h30.

De tarde realizou-se a cerimónia de abertura em Kuusamo.
Desfile desde a zona de concentração até ao estádio Municipal e depois discursos e música.

A cerimónia ficou áquem das expecativas, mas foi muito participada e no final procedeu-se á entrega de prémios da prova do sol da meia- noite.

Agora tudo será a sério!
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Fernando_Costa
Escolinha


Registo: 20 Jun 2007
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MensagemColocada: Sex Jul 20, 2007 8:25    Assunto: Responder com Citação

Candidatos a espécies de orientistas escandinávos -1

A função principal da minha vinda á escandinávia é a promoção do WMOC 08, mas não podia deixar de fazer a minha estreia como orientista nestes terrenos fantásticos.
O stand foi instalado no campo com menos condições e ainda por cima com chuva, mas a promoção não podia parar.

A minha aventura começava assim num dia com muita chuva, para azar da organização!
Mas neste aspecto todos estão mais preparados do que nós, pois vivem com a chuva e a neve grande parte do ano, aliás as galochas fazem parte do equipamento de todos sem excepção.

A arena da prova estava preparada com tudo aquilo que é necessário num evento com esta dimensão ( restaurantes, lojas, ambulancias,WC, balneários, informação, speakers (3) etc.

A máquina estava montada na perfeição apesar de ter havido um percalço na partida devido a confusão com os relógios (deve ser evitado em Portugal).
As 10h00 os atletas começam a partir, mas entre eles aquele que merece maior destaque e admiração é sem sombra de dúvida Erkki Luntamo que com 93 anos continua teimosamente a manter a postura de orientista exemplar e a dar um exemplo ao mundo de que os verdadeiros campeões, são aqueles que conseguem ao longo do tempo manter e prolongar a sua vida através do desporto de uma forma saudável.

Como eu partia ás 13h25 deu para visitar tudo aquilo que desejava e verificar como estavam montadas as infra-estruturas e toda a parte técnica.


Tinha comprado uns sapatos icebug mas não tinha medo de os experimentar na prova, visto o fato, coloco o porta sinaléctica o Emit (sistema utilizado na Finlandia) e a bússola.


12h50, começo a deslocar-me para a partida (1750m), autentica procissão ao longo de uma estrada, todos vão concentrados, não há barulho, neste espaço existe, água em contentores (miúdo de cerca de 10 anos é o responsável pela distribuição, sem qualquer complexo, vai enchendo copos e uma fila de adultos espera a sua vez e admira a sua desenvoltura) e WC com desinfectantes no exterior. O local era apertado para a partida não permitindo ter um espaço bom para aquecimento (espaço é coisa que não falta por estas bandas) o que não dá para entender!


São centenas os atletas que fazem o seu aquecimento em silencio, concentrados naquilo que os espera, a chuva tinha parado, verifico pela última vez a minha hora de partida e entro para a camara de chamada.


Ás 13h25 agarro no mapa e tudo aquilo que tinha planeado antes da prova (dar um passeio para aprender o máximo, pois as condições físicas não davam para mais! desde o campeonato absoluto que não fazia orientação) é esquecido, tal é o poder daquele bocado de papel que nos faz correr e pensar ao mesmo tempo na busca do percurso perfeito!
Entro muito bem no mapa (5'19'') para o 1º ponto (pedra), ganho confiança e atravesso o primeiro pantano que aparece, 3'06'' para o 2º (reentrancia), 4'03'' para o 3º (depressão), estava radiante conseguia fazer a confrontação correcta entre o mapa e o terreno.
Para o 4º consigo 1'15'', no 6º e 7º pontos já não consigo percurso limpo e no 8º cometo o 1º erro grave porque sai mal do ponto e perco cerca de 6'.
Nos pontos 11º e 12º também perco algum tempo e a partir daqui até ao final fui praticamente a arrastar-me!
Quando entrei no funil de chegada é uma sensação arrepiante ao ver centenas de pessoas, apesar da chuva a aplaudirem os atletas que chegam.

Que grande sova! Só recuperei do esforço ao fim da noite.
Nestas coisas ou se treina ou então não há milagres!
No final 1h 33'15'' e o 49º lugar na 3ª série de M45.
A estreia foi positiva e fiquei realmente fascinado com o desafio destes terrenos (água, pantanos e zonas alagadiças, fossos, formigueiros, troncos e muito musgo e aquela imensidão de floresta verde!).
Uma coisa é treinar a rolar no parque da cidade outra é andar atolado em humus, água e musgo num sobe e desce constante em constantes mudanças de direcção.
Os restantes Portugueses também não fizeram melhor a não ser o José Fernandes que conseguiu um 23º lugar na 5ª série de M45, com 1h02'.


A candidatura a espécie estava lançada, mas ainda estava nas explicações, tinha ainda muito que penar!


Minna Kauppi e Pasi Ikonen (Campeões Finlandeses de Elite) marcaram presença e foram entrevistados pelos speakers de serviço.
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Fernando_Costa
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Registo: 20 Jun 2007
Mensagens: 79

MensagemColocada: Sex Jul 20, 2007 8:27    Assunto: Responder com Citação

Candidatos a espécies de orientistas escandinávos -2

Hoje não chove!

A arena da prova de hoje foi instalada noutro local com menos espaço, mas a infra-estrutura é a mesma o que originou que fosse desmontada e montada novamente, mas como não há noite, permite trabalhar no exterior sem paragens em caso de necessidade.

A organização tinha preparados 9 parques de estacionamento em campos que foram adapatados para este efeito e mesmo assim não chegou para todas as viaturas, tendo alguns automóveis e autocarros terem que ficar ao longo da estrada.

Sem chuva a arena transformou-se numa verdadeira feira com uma animação incrivel, junto ao funil de chegada muitos clubes instalam a sua tenda.

A 2ª qualificatória começa às 10h00 e as partidas são muito próximas da zona de concentração, novamente um local acanhado, mas desta vez a organização está precavida para não haver enganos.

Parto pelas 12h53 e em relação ao dia anterior tudo sai ao contrário.
O mapa é uma autentica mancha azul, nunca tinha visto nada assim, tenho dificuldade no 1º ponto e a partir daí a desconcentração é total (no ponto 5 fico 28' sem conseguir sequer fazer a relocalização). Fisicamente sinto-me muito melhor, já me tinha adaptado a este tipo de esforço, mas não acerto com nenhum ponto à primeira.
é a prova mais dificil que alguma vez já tinha realizado. Qualquer desconcentração é fatal, o terreno com um relevo muito suave é constituído por lagos, ribeiros, zonas alagadiças, pantanos, fossos, muitos pormenores de vegetação que tem que ser ultrapassados. A prova é um autentico slalom que a torna um grande quebra cabeças. A partir do ponto 8 já estava esgotado e a partir daí fiz a prova com o Carlos Monteiro que entretanto tinha partido e realizou um percurso muito bom.

No final 1h56'05'' e o 51º lugar na série para os 7.6km e 17 pontos de controlo, foi talvez a pior média que realizei até hoje mas foi um espectáculo completo!

Veli- Pekka Nurmi da Finlandia foi o vencedor da série com 48'12'' ???
Como é possível alguém conseguir fazer aquele tempo, comentei com o Monteiro!
Nós que tinhamos acabado de fazer a prova, prestamos humildemete as nossa homenagem a este incógnito atleta voador!
Mesmo sabendo os locais dos pontos era impossivel para nós correr naquelas condições naquele tempo, além de grande técnica de orientação era mesmo importante ter técnica de corrida para este terreno!
Os atletas acabam em magote as suas corridas, no final nem uma garrafinha de água quanto mais uma barrinha ou um sumo à boa maneira Portuguesa, mas parece que ninguém está à espera de nada, a não ser do desafio do percurso desenhado num mapa de grande qualidade.

E para alegrar ainda mais a festa rompe o sol um pouco a medo!
Os crontrastes entre a cor azul dos lagos e o verde da floresta torna a paísagem espectacular.
O ambiente torna-se fantástico, parece que estava tudo à espera do sol, as roupas alteram-se rápidamente, as t'shirts roubam a primazia aos polares e as loiras, ruivas e outras mais morenas conseguem transformar a arena num espaço de verdadeira delícia!

No final não passamos de candidatos a espécies sendo relegados para a final C

A TV da finlandia efectuou uma reportagem no local que irá passar hoje à noite.

A delegação oficial Portuguesa foi convidada para o Banquete oficial no Hotel Tropic de Kuusamo, claro não podiamos recusar!

No final como é costume nos Países nórdicos segui-se um animado baile
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Fernando_Costa
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Registo: 20 Jun 2007
Mensagens: 79

MensagemColocada: Sex Jul 20, 2007 8:28    Assunto: Responder com Citação

Dia de descanço (12-07-2008)

O sol continua a brilhar!

A maioria dos Portugueses foram passear até à fronteira com a Rússia ou até Rovaneim (terra do Pai Natal).

Eu preferi continuar no "Bunker", mas cedo me arrependi, pois foi uma verdadeira invasão, desde os Japoneses até aos ucranianos foi uma loucura!

Eu que não bebo café, hoje tirei centenas. Não fazia ideia do que um bom café Portugues (delta) e um vinho do Porto (Cruz) podia fazer!
Até houve fila.

Os Russos e Ucranianos resolveram começar a inscrever-se aqui no local para o evento em Portugal, a nossa salvação foi a Sacha (a belíssima Russa que está a trabalhar connosco) que tem efectuado um trabalho fantástico e já sabe tanto do evento como eu, ela tem tratado de todo o trabalho de ligação e tradução com estes Países. Já está combinado que irá trabalhar no secretariado na Marinha Grande.

Os filandeses até se passam quando vem a agitação em frente ao stand de Portugal e agora com a Sacha é que eles ficaram de boca aberta.

Hoje sairam as listas de partida para a diversas finais, consegui fugir à final D (Os Portugueses no meu escalão vão todos à final C).

Hoje à noite, todos os Portugueses vão fazer um convivio na casa da delegação oficial de Portugal, para o qual convidamos alguns elementos da organização da Finlandia, os Australianos que vão organizar em 2009 e a Sacha.
Não vai ser nada de especial, mas servirá para estreitar mais os laços de amizade entre todos os que vieram até ao círculo Polar e aqueles que nos ajudaram aqui na Finlandia. Vamos a ver se os cozinheiros não nos deixam ficar mal na fotografia!

Então amanhã serão conhecidos os novos campeões do Mundo de Masters em Orientação pedestre.
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Fernando_Costa
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Registo: 20 Jun 2007
Mensagens: 79

MensagemColocada: Sex Jul 20, 2007 8:29    Assunto: Responder com Citação

Finais

chegou o dia tão aguardado pelos super campeoes!

Com uma arena espectacular, com mais espaço e com uma forma quadrangular foi possível á organização brindar os participantes com um ambiente de autêntica festa.

Os candidatos as espécies chumbaram retundamente, desportivamente falando!

Eu não fazia ideia que houvesse um fosso tão grande entre os nórdicos e os restantes países.
São verdadeiros orientistas voadores!

O mapa de hoje até me pareceu mais fácil, mas os resultados foram ainda piores.
Da minha parte resolvi aproveitar ao máximo o dinheiro que paguei na inscrição (130,00€ das 3 provas + 10,00€ do aluguer do chip +10,00 da prova do sol da meia noite) e realizei o belo tempo de 2h 30´, somando nos 4 dias cerca de 7horas!
Foi encher a barriguinha de pasto ate dizer chega, apesar de fazer metade da prova a passo e tentar aprender o máximo possível.
O Jose Fernandes que era a nossa esperança acabou por ser desclassificado.

Ainda no decorrer da prova a organização realizou a cerimonia de tranferência da bandeira da IOF para Portugal onde o Carlos Monteiro e o Jorge Simöes marcaram presença.

Este campeonato foi o campeonato da Filândia (14 medalhas de ouro, 11 de prata e 16 de Bronze).
a seguir a Suecia (4-ouro, 3- prata e 3 de Bronze), Noruega (1 - ouro, 1- prata, 2 de Bronze), suiça, Russia, GBR - 1 de ouro, Polonia, Estonia e Letonia - 1 de prata

Como vitorias individuais e de realçar em W35 Vroni König - Salmi da Suiça ainda das melhores em Elite e em M35 Janne Salmi dos melhores atletas do Mundo em Elite.

Aproveito para dizer que tanto spekears como outros elementos da organização manifestaram muito interesse em tomar parte do nosso evento de 2008.

Quando menos esperavamos a seguir a entrega da Bandeira e durante muito tempo da entrega de prémios começou a passar musica de Portugal. Eu nunca tinha ouvido (Sabrina) em Portugal, penso que o nome da musica era "dança comigo"!

Ontem o convivio foi um sucesso, até deu para cantar os parabens à Asta (29), os cozinheiros cobriram-se de glória com uma sopa de soja, massa à Bolonhesa e salada de frutas, não esquecendo o favaios como aperitivo e enchidos de Portugal.
Neste aspecto ninguem nos bate!

Amanhã começa a odisseia da viagem de regresso.


Como balanço posso afirmar que foi a melhor promoção de sempre de um campeonato de Masters (palavras de Peö Bentsson) e que a fasquia foi levantada bem alto.
Para que no final não existam frustaçoes é importante que exista colaboração de todos (e somos poucos) para que a fasquia nao seja derrubada logo ao primeiro ensaio
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Fernando_Costa
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Registo: 20 Jun 2007
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MensagemColocada: Sex Jul 20, 2007 8:38    Assunto: Responder com Citação

Balanço

Depois de chegar ao fim esta espectacular viagem, é importante fazer um balanço final.
Em primeiro lugar, importa referir o ambiente de amizade e companheirismo que foi conseguido dentro da equipa oficial de promoção do WMOC2008 (elementos de vários clubes).
O planeamento desta viagem foi encabeçado pelo Jorge Simões que não deixou nada ao acaso e por isso tudo correu bem.

Vários comentários de pessoas entendidas na modalidade, afirmaram que foi uma das maiores e melhores campanhas de promoção de um evento de orientação. Desde a concepção até à operacionalização tudo esteve muito bem e contou com a ajuda de vários intervenientes que se juntaram a nós em Ruka (Luís Santos, Isabel Monteiro, Carlos Monteiro).

Esta viagem foi uma experiência inesquecível, pela quantidade de países que conheci, e pela forma como foi concretizada, poucos acreditavam que íamos chegar tão facilmente ao norte da Finlândia!
A atitude tomada em cada desafio é que leva à sua fácil concretização, neste caso todos estavam motivados para dar o seu melhor pela causa que nos levou até Ruka.

As intermináveis horas de viagem, a descoberta do sol da meia noite, a passagem do circulo polar Árctico, a floresta nórdica, os lagos, as renas, os formigueiros gigantes, os mapas azuis, os percursos aquáticos, a tranferência da bandeira da IOF para Portugal, as insónias dos nórdicos devido ao café Português, ficarão na memória desta equipa por muito tempo.
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Fernando_Costa
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MensagemColocada: Seg Jul 23, 2007 10:29    Assunto: Responder com Citação

WMOC'08 no Rádio Clube Português

Terça Feira, dia 24 de Julho, o WMOC vai ser falado no programa de Fernando Correia "Lugar Cativo".

O programa terá início pelas 20h00 e prolonga-se até às 21h30.
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Fernando_Costa
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MensagemColocada: Seg Ago 06, 2007 8:05    Assunto: Responder com Citação

Inscrições

Mais de 800 inscritos de 20 Países até 31 de Julho.
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Fernando_Costa
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MensagemColocada: Ter Out 09, 2007 10:45    Assunto: Responder com Citação

Comissão de Honra de luxo. Podem consultar no seguinte endereço os elementos que já disseram sim:

http://www.wmoc2008.fpo.pt/index.php?lang=pt&op1=122
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Fernando_Costa
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MensagemColocada: Qui Dez 27, 2007 12:21    Assunto: Responder com Citação

2448 orientistas de 37 Países, inscritos a 6 meses do dia D

Noruega - 486
Finlândia - 468
Suécia - 232
Rússia - 211
Suiça - 181
Estónia - 125
GBR - 106
AUS - 52
LAT -42
POR -38
BEL - 33
LTU - 35
NZL - 35
ESP - 31
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Fernando_Costa
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MensagemColocada: Ter Jan 08, 2008 14:49    Assunto: Responder com Citação

Entrevistas com os super veteranos



Foram publicadas no site oficial as primeiras duas entrevistas com os super veteranos que estarão presentes no WMOC em Portugal:

http://www.wmoc2008.fpo.pt/index.php?lang=pt&op1=126&id=1

http://www.wmoc2008.fpo.pt/index.php?lang=pt&op1=126&id=2
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Fernando_Costa
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MensagemColocada: Qui Jan 10, 2008 18:28    Assunto: Responder com Citação

Erkki Luntamo, M90, FIN



A primeira entrevista só podia ser com Erkki Luntamo, 93 anos, Finlândia.
Erkki dispensa apresentações. É o mais velho praticante de orientação no mundo inteiro. Todos os veteranos conhecem o seu especial vigor apesar da idade. Nos últimos Mundiais em que esteve presente ganhou sempre medalhas de ouro: Lituânia 2001 e Noruega 2003, em M85; Itália 2004, Áustria 2006 e Finlândia 2007, em M90.
O último praticante que pessoalmente vi correr com uma idade assim foi Karl-Viktor Ahokainen no O-ringen 1997, mas a popularidade de Erkki é um fenómeno incomparável.

Para esta entrevista tivemos a colaboração especial de Tuulikki Salmenkylä, que traduziu as perguntas de inglês para finlandês e as respostas de finlandês para inglês. Esta orientista finlandesa também acrescentou algumas notas preciosas, como esta:

Erkki Luntamo foi convidado pelo Presidente, a 6 de Dezembro, para a gala do Dia da Independência, que é uma ocasião festiva especialmente no 90º aniversário da independência da Finlândia, e consta que não foi o primeiro a acusar fadiga na pista de dança. (Nota da tradutora)

Seguem as perguntas e respostas:

Como descobriu a orientação?
O meu irmão mais velho, sargento do Exército na altura, ensinou-me o básico (símbolos do mapa, técnica de direcção com bússola, escolha de itinerário, etc.).

Lembra-se da sua primeira corrida?
A minha primeira prova foi o campeonato da organização Temperança do sudoeste da Finlândia na Primavera de 1931. O mapa era russo na escala 1:42.000. Foi uma experiência emocionante para um novato cuja única grande aspiração era acabar a corrida. (Muitos dos primeiros mapas usados na orientação foram feitos por russos no final do séc. XIX ou nos princípios do séc. XX. - Nota da tradutora.)

Quais os eventos que lhe deixaram melhores recordações?
- A) Fiquei muito feliz quando ganhei o campeonato do distrito de Rauma em 1936, altura em que frequentava a escola do Magistério.
- B) Foi magnífico vencer o campeonato da 1ª Divisão na classe de oficiais em 30 de Agosto de 1943, durante a II Guerra Mundial.
- C) Foi igualmente exaltante ser 2º na classe de oficiais no campeonato da Brigada Maasela em 26 de Setembro de 1943. O vencedor foi a mais brilhante estrela da orientação desse tempo, Olli Veijola (também o primeiro presidente da Federação Finlandesa de Orientação).
- D) A experiência mais emocionante teve lugar entre 30 de Julho e 1 de Agosto de 1944 quando, sendo eu comandante da companhia da linha de frente, tive de progredir às escondidas para atingir um alvo em território inimigo. Demorei 30 horas para fazer 12 quilómetros de terreno pantanoso, no meio do nevoeiro e em estrita obediência à bússola. Ao atingir o alvo fui ferido, mas o alvo foi destruído também.
- E) O primeiro campeonato da Finlândia em H50 a 8 de Setembro de 1966. Foi a segunda vez que participei em provas do campeonato finlandês.
- F) A primeira vitória no WMOC em H80 em 1994. Foi de extrema importância para me dar confiança para os WMOC seguintes.

Lembra-se de algum episódio divertido num dos últimos Masters?
Foi fantástico e deslumbrante para mim fazer o sprint final no WMOC da Áustria em 2006 em H90 com os aplausos dos espectadores à minha chegada. E foi fantástico bater por 40 segundos o norueguês que venceu o escalão H85 [mesmo percurso].

Que mais lhe agrada na orientação?
Esta é uma modalidade que se desenrola na natureza e em que o cérebro e as pernas precisam de cooperar bem.

Fez algumas amizades especiais neste desporto?
Tenho muitos amigos na orientação, homens e mulheres. Mas talvez a relação mais forte tenha surgido nos últimos anos com uma enérgica e jovial praticante da modalidade.

Que acha da forma como é visto pelos praticantes mais novos?
É delicioso ver como os mais novos se relacionam com um velho veterano. É sempre um prazer ser saudado por um jovem e muitas vezes até trocar apertos de mão com eles no Event Centre. É também uma experiência calorosa ser cumprimentado por gente que soube do meu sucesso pela leitura dos jornais.

Tem outros praticantes na família?
Todos os meus quatro filhos praticaram orientação a nível distrital quando eram jovens. Mas deixaram de praticar há já muito tempo. ("Eles abandonaram quando sentiram que estavam demasiado velhos para continuar", terá dito o pai, segundo algumas testemunhas. Nota da tradutora.)

O que acha a família da sua actividade?
Apesar de ter participado em várias provas ao longo dos anos (este ano foram 33), nem a minha mulher nem os meus filhos têm obstado a que o faça. Lembro-me, no entanto, de a minha mulher ter dito em 1966: "Suponho que irás retirar-te agora que ganhaste o campeonato da Finlândia." Isto, claro, foi apenas uma nota.

Qual o segredo para uma tamanha longevidade desportiva?
Um estilo de vida saudável e exercício contínuo em diferentes disciplinas.

Que tipo de treino fazia quando era mais novo e o que faz agora para se manter em forma?
Eu realmente não fazia treino nenhum. Mas, enquanto professor, fazia tudo o que os miúdos faziam nas aulas de desporto. Agora, porém, que estou reformado, tenho de correr, esquiar, nadar e fazer ginástica.

Tem cuidados especiais na alimentação? O que é que nunca come ou bebe?
Sou omnívoro e nada pedante no que toca à nutrição. Bebo diariamente uma taça de café e nunca toco em álcool. Sempre fui abstémio.

Qual era a sua profissão e como coordenava a vida profissional e desportiva?
Era professor do ensino primário. Passava os fins-de-semana a competir. Durante as férias de Verão participava em provas de orientação de vários dias.

Quais os seus hobbies além da orientação?
Tenho vários hobbies: esqui, orientação em esqui, voleibol, prática de temperança [movimento que preconiza moderação nos alimentos e proibição de álcool], actividades ligadas aos veteranos de guerra e à corporação, coro masculino, Lions Club, defesa civil, e antes tinha ainda outras diferentes actividades.

Que espera do WMOC 2008?
Da minha parte espero um desempenho sem falhas. E estou confiante em que a organização da prova será magnífica.

Quer deixar alguma mensagem aos outros participantes?
Treinem afincadamente antes do WMOC para estarem bem preparados para a competição. Dessa forma só poderão registar memórias agradáveis de Portugal.

Quando e onde nasceu?
Nasci a 25 de Novembro de 1914 em Kuusisto, no sudoeste da Finlândia. Desconfio que vou ser outra vez o participante mais velho. Desejo comprimentar-vos a todos com alegria.

(Entrevista de Manuel Dias. Perguntas e respostas por e-mail. Recebido a 18 de Dezembro de 2007.)
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Fernando_Costa
Escolinha


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MensagemColocada: Dom Jan 13, 2008 20:11    Assunto: Responder com Citação




Tapio Peippo, M55, FIN

Tem um dos melhores registos de sempre no Mundial: três medalhas de ouro em M55 (Itália 2004, Áustria 2006, Finlândia 2007). E falhou a 4ª medalha por m.p. no Canadá 2005, onde terminou com tempo suficiente para ganhar. Que aconteceu em Edmonton?
Tive uma terrível dor de dentes durante toda a semana e fui obrigado a tomar penicilina. Fiz o meu melhor nessa situação e a Final correu-me muito bem. Terminei com mais de dois minutos de vantagem sobre o segundo concorrente. Mas a minha passagem pela baliza nº 3 não ficou registada e fui desclassificado. Cinco outros concorrentes na nossa série foram também desclassificados nesse controlo. Suponho que o sistema (Sport Ident) não estaria a funcionar suficientemente bem e que a minha picagem tenha sido demasiado rápida. Matti Railimo foi o vencedor e eu fiquei realmente feliz por ele, já que eu não podia fazer mais nada. Não fiquei muito preocupado. Toda a gente lamentou imenso o sucedido, mas eu disse: "Não importa, está tudo bem e eu estou de boa saúde." A dor de dentes tinha aliviado, a nossa viagem fora bem sucedida, eu estava tranquilo e divertia-me com as novidades do passeio. A orientação é uma parte importante da minha vida, mas eu não levo isto muito a sério, encaro a competição de forma despreocupada.

Quais são os objectivos para a sua última oportunidade em M55?
Não levo objectivos para Portugal, apenas ter saúde depois das provas.

Quem pode lutar consigo pela vitória?
Sigurd Daehli da Noruega, é um perfeito candidato à vitória no próximo Verão.

Qual o segredo para ser um vencedor?
Os melhores orientistas do mundo não vêm aos Mundiais. Não há segredo, há é uma longa história que eu vou tentar sintetizar. Durante a competição: concentro-me basicamente nas coisas essenciais, não arrisco nada, mantenho permanente controlo do mapa, procuro saber sempre onde estou, tento correr sempre à máxima velocidade mas sem riscos. Antes da competição: não faço nada de especial, concentro-me apenas na competição mas sem estar nervoso. Não é forçoso ganhar, tenho apenas de fazer o meu melhor. A receita é descontracção e humildade. Quanto ao futuro: a minha atitude dia a dia é mostrar humildade e respeito pelos outros concorrentes. Pode sempre acontecer que a minha próxima competição falhe totalmente, que eu cometa grandes erros. Tenho isso sempre presente.

Quando nasceu e onde vive?
Nasci a 4 de Fevereiro de 1949 e vivo em Imatra, uma cidade no Sudeste da Finlândia, junto à fronteira com a Rússia.

Qual a sua profissão e como coordena a vida profissional e desportiva? Tem mais algum "hobby"?
Estou reformado, a minha profissão era dar treino de guerrilha aos guardas de fronteira. (Dá para perceber que os mapas eram um instrumento muito importante no treino de guerrilha.) O meu outro "hobby" são (um pouco) as caminhadas e cuidar das casas que dão apoio às caminhadas. A Grande Rota Europeia Nº 10 (GR 10) passa em Imatra e eu faço a manutenção do caminho e das casas de abrigo ao longo do percurso.

Tem orientistas na sua família?

Antes viajávamos muito à conta da orientação, ia a família toda e os meus filhos (3) competiam. Hoje em dia, o resto da família já pouca orientação faz. A minha mulher não está por dentro da modalidade, mas acompanha-me para assistir a algumas competições.

Como descobriu a orientação e desde quando a pratica?
Já em garoto eu me interessava muito pela orientação e por mapas, mas o meu pai nunca me deixou ir a provas. Tínhamos uma quinta e havia sempre muito que fazer. A minha primeira prova foi durante a recruta no Exército em 1969 e eu ganhei. Na vida militar, tínhamos provas quase todas as semanas e eu saí-me muito bem. Mas passaram ainda vários anos antes que eu começasse a encarar a orientação um pouco mais a sério. Treinei bastante durante uns cinco anos, mas só a partir de 1980 é que atingi um nível aceitável.

De que mais gosta na orientação?
Estafetas, acima de tudo. Fico que nem um louco quando se aproxima uma prova de estafetas. Gosto sobretudo de fazer o primeiro ou o último percurso, porque aí pode-se lutar mano a mano. Quando começo uma prova de estafetas, sinto-me como se fosse projectado para um nível superior - tento ganhar a toda a gente.

Qual foi a prova de que mais gostou até hoje?
A prova mais memorável foi na escola de oficiais milicianos do Exército. Eu ganhei o campeonato da escola. O percurso tinha 16 km, nós corremos com botas e espingarda e a temperatura era superior a 25 graus. Havia mais de 300 soldados naquela escola e muitos eram orientistas. Nem imagina como eu fiquei contente, porque ainda só tinha começado a fazer orientação havia alguns meses.

Qual foi a sua melhor época e quais os títulos mais importantes da sua carreira além do WMOC?
A melhor época foi 1977. O nosso clube, Joutsenon Kullervo, foi segundo nas estafetas do Jukola. Eu fiz o último percurso (o sétimo) e tivemos uma luta acesa entre oito concorrentes. Um dos pontos altos da minha carreira foi o sprint final dessa prova. Também no Verão de 77 o Campeonato do Mundo Militar (CISM) teve lugar na Finlândia. O nosso clube venceu a estafeta e eu fiz o primeiro percurso. Foi outro momento exponencial. Já participámos no campeonato finlandês de estafetas (veteranos) durante cerca de 20 anos e temos sido sempre medalhados (1º, 2º ou 3º lugar). Eu fiz quase sempre o primeiro percurso. Em termos pessoais, ganhei nos Campeonato da Finlândia cerca de 40 medalhas de ouro e, entre prata e bronze, cerca de 20, não sei exactamente quantas. Neste último Outono ganhei três medalhas de ouro nos Campeonatos da Finlândia: no conjunto, constituiu mais um ponto alto da minha carreira.

Que espécie de treino costuma fazer? Tem treinador?
O meu treino é muito simples. Na realidade não tenho qualquer programa ou plano e é claro que nunca tive treinador. No Verão faço semanalmente alguns treinos não muito longos na floresta, nunca em cimento ou alcatrão. De Outubro a Abril não corro, faço esqui de fundo ("cross-country skiing"), cerca de 1000 a 1500 km por Inverno. Incluo nos treinos algum exercício físico e as primeiras provas de Verão constituem um bom treino para a estação alta (WMOC, Campeonatos da Finlândia). Especialmente no Inverno, pode acontecer que eu passe uma ou duas semanas, ou mesmo mais, sem fazer um único treino.

Que terreno prefere? Técnico? Físico?

Tanto faz, mas prefiro um terreno técnico, complicado, que represente um bom desafio nas curvas de nível e seja pesado ou difícil de correr. O tipo de terreno do vosso evento no próximo Verão (WMOC) é um dos meus favoritos, talvez só um pouco aberto de mais e de corrida demasiado fácil. O meu objectivo especialmente em todos os campeonatos é apenas fazer o meu melhor e regressar da floresta sem lesões. A minha atitude na competição é bastante descontraída, isto afinal não é assim uma parte tão importante da nossa vida.

No último Verão, depois do Mundial, você também ganhou o Fin5 (5 Dias da Finlândia, na semana seguinte), com uma vantagem de 16 minutos sobre Hyyrylainen. Como se aguenta uma tal performance durante tanto tempo?
Tanto tempo? A semana do WMOC na realidade é apenas uma competição. As provas de Qualificação são só uma brincadeira.

Quem são os seus heróis neste desporto?
Hannu Mäkirinta, Dieter Wolf, Sigurd Daehli. Eles têm algumas das qualidades que eu mais admiro. A forma de orientar de Thierry Gueorgiou é qualquer coisa de inesquecível. Ele sabe o que está a fazer. Na minha pequenez eu tento fazer o mesmo.

Quer deixar alguma mensagem aos milhares de participantes do WMOC?
Entreguem-se à competição de acordo com as capacidades de cada um e desfrutem a sensação de estar no WMOC.

(Entrevista de Manuel Dias. Perguntas e respostas por e-mail. Recebido a 14 de Novembro de 2007.)
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